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Mentiras sociais

Não há quem não minta. Algum de vocês podem levantar a voz e dizer: não, eu não minto, pauto minhas condutas pela verdade.

 

A má notícia é que você está mentindo para si mesmo.

 

A boa notícia é que quando afirmo que todos nós mentimos, estamos falando das chamadas mentiras sociais, mentirinhas inocentes que utilizamos pelo bem estar de alguém ou de nós mesmos. Afinal, segundo a Psicologia, a mentira é necessária para nossa sobrevivência.

 

O que é exatamente uma mentira? Mentira é a mensagem que o emissor sabe ser falsa, que tem o objetivo de controlar o comportamento do outro. Temos então dois fatores, o controle de uma pessoa e a mensagem falsa. Sem a intenção de manipular o outro, não existe mentira.

 

Ah, Adriana e quando eu minto para mim mesmo?

 

Quando mentimos para nós mesmos é sempre para mentirmos melhor para os outros. Se eu insisto em dizer que a pessoa me ama, mesmo sendo surrada por ela cotidianamente, estou mentindo para mim mesma, mas principalmente estou mentindo para todos que dizem que eu devo sair da relação porque ele não me ama. Eu poderia responder que vou ficar com ele, mesmo ele não me amando, porque eu o amo. Mas não ser amada me diminui, então eu minto para mim, insistindo em acreditar num amor que não existe, para mentir melhor para quem me aponta o dedo e diz que não sou amada.

 

A mentira, além de conduzir o outro no caminho que consideramos melhor, tem um motivo, um porquê. No exemplo que dei acima, o motivo é fazer com que eu não me sinta diminuída por não ser amada. Emiti uma mensagem falsa, para que parem de dizer que não sou amada, porque isso me faz sentir-me mal, diminuída, humilhada.

 

Ou seja, a mentira é uma estratégia de solução de problemas.

 

Alguns autores apontam que a partir dos 2 anos de idade já somos capazes de mentir. E mais: é uma habilidade que se aprende na família. Crianças que têm dificuldade em mentir, passam a fazê-lo depois de um pequeno treinamento. Que treinamento? Quando você pede a seu filho para mentir para uma visita, para não ser importunada enquanto descansa, fazendo-o dizer que você está muito ocupado no momento. Quando seus filhos vêem você mentindo para seu marido, para sua esposa, para outras pessoas.

 

Ainda que socialmente reprovável, há situações em que mentir é desejado, como no caso da etiqueta social, que nos obriga a nos comportarmos de certa maneira, independentemente de como nos sentimos.

 

A questão é que muitas vezes uma verdade pode ser agressiva e o ideal é mentir para não machucar. A mentira, quando tem esse caráter de preservação de si e do outro é costumeiramente aceita. Mas o principal motivo pra se aceitar mentiras é evitar conflitos e, para tanto, criamos um código de ética que determina quando é necessário dizer a verdade e quando não é.

 

Essa mentira aceita como uma necessidade e que se julga inofensiva, é o que chamamos de mentira social.

 

Inclusive, na Igreja Católica, a mentira ofensiva é considerada um pecado grave, que te leva para o Inferno. Porém, não sendo ofensiva, ainda que mal intencionada, é considerada um pecado venial, que é mais leve e não te condena a passar a eternidade com o Tinhoso.

 

Vale, aliás, ressaltar que não estamos nos referindo às mentiras patológicas, das pessoas que mentem para prejudicar os outros ou mesmo se safar das consequências de seus atos, sem pensar no mal que faz aos outros e a si mesmo. Isso é caso a ser tratado pela lei ou pela psiquiatria e tem nome: Mitomania.

 

Mitomania ou Síndrome de Pinóquio é a necessidade de enganar as pessoas, não se importando se irá magoá-las, pensando apenas no benefício obtido com a mentira, ainda que seja meramente para receber atenção ou até para obter vantagens pessoais. Essa pessoa mente em tudo, o tempo todo, na vida profissional, amorosa, nos relacionamentos familiares, em tudo mesmo.

 

Nesses casos, a mentira traz mais sofrimento e deixa de ser uma questão de preservação de si e do outro.

 

Voltando às mentiras sociais, veja o que diz o artigo Mentir para dizer a verdade, de Marcelo Gomes (https://periodicos.ufpb.br/index.php/tematica/article/download/21874/12034/),

 

Há alguns tipos de mentiras que são consideradas aceitáveis, desejáveis, ou mesmo obrigatórias, devido a convenção social. Tipos de mentiras convencionais incluem:

·      uso de eufemismos para evitar a menção explícita de algo desagradável;

·      perguntas insinceras sobre a saúde de uma pessoa pouco conhecida;

·      afirmação de boa saúde em resposta a uma pergunta insincera (os inquiridores com frequência ficam bastante desconcertados por qualquer outra coisa que não a resposta positiva mais breve possível);

·      Desculpas para evitar ou encerrar um encontro social indesejado;

·      Garantia de que um encontro social é desejado ou foi agradável;

·      Dizer a uma pessoa moribunda o que quer que ela queira ouvir.

 

Veja o que nos informa outro texto, esse do site GZH Vida (https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2016/08/somos-todos-mentirosos-por-que-as-inverdades-sao-fundamentais-para-vivermos-bem-em-sociedade-7335218.html)

 

Se há uma verdade, é que é preciso mentir para viver em sociedade. Mentimos para tirar alguma vantagem ou nos livrarmos de culpa, para poupar alguém de uma notícia dura ou garantir a própria sobrevivência. Mentimos ao dizer que, sim, está tudo bem, quando não está; que a apresentação entediante foi boa; que gostamos daquela nova cor de cabelo.

 

As pessoas inventam histórias para serem mais felizes, para alegrar ou não magoar os outros. Para proteger alguém ou a si mesmas. Para conquistar um par, para conseguir uma vaga de emprego ou uma promoção. Para evitar as consequências negativas de um erro e preservar a própria reputação. Por medo, por amor, por vaidade, por pena. É uma prática comum em todos os aspectos da vida que envolvam relações sociais.

 

Ninguém escapa de mentir.

 

O que não se pode esquecer é que podemos pagar caro por isso, como no caso daqueles nadadores norteamericanos que, durante as Olimpíadas no Rio, inventaram um assalto, para esconder uma noitada de bebidas e baderna, que acabou gerando um incidente diplomático entre o Brasil e os Estados Unidos.

 

Mas evitar a mentira também tem um preço que pode ser bastante alto. Quem nunca ouvir falar de sincericídio? Ou seja, situações em que, por ser sincera, a pessoa acaba sendo mal vista, mal quista e até combatida ou, como se diz hoje, cancelada.

 

Você conseguiria lidar com todas as verdades a seu respeito, aos olhos dos outros? Conseguiria saber o que todos pensam de verdade sobre sua aparência, suas atitudes, suas decisões? Conseguiria lidar com fato de que suas visitas não gostaram do prato que você serviu? Com certeza, não! Imagine dizer à sua sogra, a seu pai, sua mãe, ao amor da sua vida, o que você realmente pensa deles... Se as pessoas não têm sabido lidar com opiniões diferentes sobre um tema qualquer, imagine com opiniões alheias sobre si mesmas.

 

São as mentiras sociais que dão leveza à vida, que trazem alegria em muitas ocasiões.

 

Agora uma questão: e quando somos pegos na mentira? O melhor, nesses casos, é assumir que mentiu e arcar com as consequências. Não caia na tentação, seja por orgulho ou medo, de criar uma história sobre a outra e acabar sendo conhecido como mentiroso ou falso. Não faça isso!

 

A verdade é que parece fácil não mentir, mas não é. A mentira é espontânea, na maior parte das vezes, ocorre inconscientemente, é uma habilidade que se torna automática. Por isso, é preciso aprender, esforçar-se para não dizer uma mentira sobre a outra quando desmascarado. Apenas assuma e arque com as consequências. Agir assim é mais íntegro, menos danoso para sua imagem.

 

Por falar em dano, saiba que, em razão da proximidade, vemos menos necessidade de mentir para nossos familiares que para desconhecidos. Porém, quando isso acontece, quando mentimos para pessoas próximas e somos descobertos, os resultados são muito piores que quando mentimos para pessoas menos próximas. Sabe porquê? Porque quando a pessoa nos conhece, ela percebe nossas pequenas mentiras e não nos arriscamos por isso. Normalmente, as mentiras que criamos para familiares e amigos são grandes mentiras, e por isso a queda e a dor também são bem maiores.

 

E já parou para pensar que existem mentiras não verbais? Quando sorrimos sem vontade, quando nos vestimos para determinada ocasião, quando nos maquiamos, quando fazemos cirurgias plásticas, quando assumimos determinada postura corporal. Enfim, somos enganados e enganamos o tempo todo.

 

Existe mentira até entre plantas e animais, como por exemplo quando uma flor exala um cheiro para desencadear a polinização e quando um camaleão se camufla para escapar de um perigo. Mas, com certeza, o ser humano é o rei na enganação. Temos o dia dela: 1º de abril, criado na França como o Dia da Mentira.

 

Algumas pessoas têm dificuldade em mentir e o corpo ou suas atitudes apontam claramente a incongruência. Se eu digo que não problema você se atrasar, mas fico minuto a minuto olhando as horas enquanto você não chega, estou mostrando que menti, há sim problema se você se atrasar. Não gosto que se atrasem.

 

Mas nem todos são assim tão transparentes e por isso vou te ensinar agora como descobrir um indício de que alguém pode estar mentindo para você. Primeiro, é preciso calibrar, conhecer a reação da pessoa. Assim, pergunte algo que faça ela responder com a verdade.

 

- Qual o nome de seu primeiro animal de estimação.

- Qual a cor do portão de sua casa.

- Qual o nome completo de seus pais.

 

Observe para onde ela olha quando responde. Quando alguém procura se lembrar de algo que realmente aconteceu, existe, é verdadeiro, seus olhos se direcionam para o alto, à direita. É o que vai acontecer ao responder as perguntas acima.

 

Agora peça que ela imagine uma girafa azul de bolinhas brancas. Quando alguém cria algo que não existe, que não é real, direciona os olhos para o alto, à esquerda.

 

Sabendo disso, sempre que você perguntar algo e os olhos se voltarem para o alto e à direita, é provável que ela esteja dizendo a verdade, mas se olhos se voltarem para o alto à esquerda, há indício de que ela mente. O nome disso na Programação Neurolinguística é Pista de Acesso Ocular.

 

E porque usei os termos “provável” e “indício”? Porque a congruência ou incongruência não é avaliada por uma técnica apenas. Por isso, é indício e não certeza. Mas com essa dica você já consegue desarmar alguém e fazer com que a pessoa, no susto, acabe assumindo que está mentindo.

 

Mas, atenção! Como falei antes, é preciso calibrar, conhecer qual é a pista ocular do outro, pois há pessoas que invertem os lados de direção dos olhos e isso não tem a ver com ser canhoto ou destro.

 

Finalizando: as pessoas mentem e a mentira pode trazer leveza e bem estar para sua vida. Mentimos por educação, por civilidade, por ética, por compaixão. Porém, quando mentir causam no outro dor, dano, sofrimento, há consequência jurídicas e pode ser caso patológico, psiquiátrico.

 

E fique sempre atento às mentiras que você ensina a seus filhos. Não faça deles mentirosos patológicos.

   

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Adriana Fernandes é autora do texto e apresentadora do Programa NOTICIANDO, que vai ao ar toda sexta-feira, com notícias comentadas, sem reservas, e dicas de Programação Neurolinguística. 

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